
Santo Antônio do Amparo celebra e reconhece a importância de Mestre Júlio Antônio Filho, figura emblemática da cultura popular mineira e um dos principais representantes vivos da tradição da Folia de Reis e do Terno de Moçambique em Minas Gerais.
Nascido em uma linhagem de mestres da cultura popular, Júlio Antônio Filho é representante da terceira geração do Terno de Moçambique, uma manifestação cultural de profunda raiz histórica e religiosa no estado. Ele exerce, com grande respeito e dedicação, o papel de capitão-mor do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Perdões (MG), mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e carrega saberes ancestrais transmitidos oralmente ao longo de décadas.
Guardião de saberes e tradições
Reconhecido como embaixador da Folia de Reis, guia espiritual e mestre da cultura popular, Mestre Júlio Antônio Filho representa mais do que uma técnica artística: ele é um condutor da memória coletiva, preservando canções, ritmos, danças e rituais que fazem parte da identidade cultural de comunidades rurais e urbanas de Minas Gerais.
O Terno de Moçambique, tradição que Júlio representa, tem origem africana e foi incorporado à cultura brasileira por meio da diáspora forçada durante o período da escravidão. Essa tradição está profundamente ligada à religiosidade, à dança e à música, sendo uma expressão de fé, resistência e celebração comunitária.
Como embaixador da Folia de Reis, Mestre Júlio trabalha também na preservação dessa manifestação popular que mistura devoção, festividade e performance, difundida em Minas e em outras regiões do Brasil. A Folia de Reis — também chamada de Reisado — remonta à tradição europeia trazida com o cristianismo, incorporando ao longo do tempo elementos indígenas e africanos, o que a torna um patrimônio cultural imaterial de grande valor para a cultura nacional.
Uma vida dedicada à cultura viva
Com uma trajetória marcada pelo compromisso em manter vivas suas tradições, Mestre Júlio Antônio Filho é reverenciado por sua comunidade e por estudiosos da cultura popular como um referencial vivo da história e da ancestralidade cultural de Minas Gerais. Seus saberes não se limitam à música ou à dança — ele preserva linguagens, ritmos e histórias que fazem parte do imaginário e da identidade de uma comunidade inteira.
A Casa de Cultura celebra e valoriza a tradição
A Casa de Cultura de Santo Antônio do Amparo reafirma a importância de valorizar mestres, embaixadores e guardiões das tradições populares. Personagens como Mestre Júlio não apenas mantêm vivas práticas culturais — eles conectam passado e presente, fortalecendo os vínculos comunitários e celebrando a diversidade da cultura brasileira.
Conhecer e valorizar nossas tradições é reconhecer a riqueza da cultura popular que pulsa em cada canto de Minas Gerais e do Brasil.




